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terça-feira, 2 de novembro de 2010

VIBRADORES.

VIBRADORESCamisinhas com gosto, óleos de massagens, gel lubrificantes. Todos eles têm ótima saída no mercado erótico, mas, tão discretos quanto atraentes, os mais vendidos ainda são os vibradores. Diante da revolução sexual ocorrida em 1960, as mulheres se sentiram mais à vontade para usarem tal aparelho, chegando hoje a ocupar um lugar significativo na vida sexual feminina. Ainda assim, há quem diga que o vibrador não tem muita importância na cultura erótica das mulheres, visto que a finalidade reprodutiva da sexualidade ainda é muito forte. Mas o mito de que mulheres encalhadas são as únicas pervertidas que usam vibrador, já não pode ser mais usado. Hoje, homens e mulheres aceitam melhor o uso desse aparelho erótico.

O que é

Tais aparelhos foram idealizados com finalidade médica, em meados do século XIX, vindo de um massageador a vapor para o tratamento da histeria. Somente em 1969 é que surgiram os primeiros vibradores elétricos, quando se percebeu que tais estímulos poderiam ser reproduzidos com impulsos elétricos. Com o passar do tempo, se tornaram mais portáteis ao serem alimentado por baterias. Claro que, por estar relacionado ao bem estar e à saúde, foram elevados a uma classe respeitável da época. Mas ao começar a aparecer em filmes pornôs, revelando também sua função sexual, tabus e preconceitos começaram a surgir, nomeando as usuárias de pervertidas e amorais.

Fato é que o uso do vibrador pode ser um bom aliado para a mulher que quer conhecer e entender melhor o seu corpo. São excelentes na descoberta dos pontos capazes de despertar prazer, o que pode proporcionar a manutenção das relações sexuais. Claro que cada corpo tem o seu mapa; assim, o que funciona com uma mulher não necessariamente funciona com todas. De qualquer forma, e normalmente, as mulheres respondem bem à estimulação do clitóris, que não precisa ser direta. Assim, massageá-lo com o vibrador também pode ser uma alternativa encontrada sozinha ou entre parceiros. Experimente seu uso nas diversas regiões erógenas do corpo, e preste atenção nas novas sensações que são despertadas. Mas, da mesma forma que ele pode ajudar no conhecimento do mapa corporal, também pode comprometer a sexualidade, abreviando a obtenção do prazer à vibração, o que não acontecerá com a manipulação feita pelo parceiro ou com a penetração.

Tipos

O melhor modelo vai depender do tipo de estimulação que você procura. Existem vibradores capazes de proporcionar uma penentração profunda, outros que estimulam o clitóris ao mesmo tempo em que ocorre a penetração. Além disso, alguns são desenhados especialmente para quem procura por uma estimulação anal, devido a sua curvatura, forma e pequena largura. Ainda há os vibradores com rotação que permitem tanto uma estimulação interna quanto externa.

Tais aparelhos requerem certos cuidados na hora da higiene, sendo necessário sempre conferir nas especificações a melhor forma de higienizá-lo. Tais brinquedinhos também têm prazo de validade e devem ser guardados em local seco.

Os homens

Alguns homens não se sentem muito à vontade diante desse concorrente. Crenças irracionais fazem com que eles se sintam diminuídos, acreditando que seriam trocados. São aqueles que gostam e aceitam somente o outro e seus corpos na cama, preferindo a opção de terem as mãos livres e não se preocuparem com um objeto. Porém, há também os que gostam da novidade e se erotizam com segurança dentro do relacionamento.

VAGINISMO.

Querer e não poder: angústia sem controle

É a contração involuntária dos músculos próximos à vagina que impedem a penetração pelo pênis, dedo, ou espéculo ginecológico ou mesmo um tampão. A mulher não consegue controlar o movimento de contração, apesar de até querer o ato sexual. Há intenso sofrimento. Também podem aparecer sinais de pânico, como náuseas, suor excessivo e falta de ar quando a pessoa tenta enfrentar este medo, aproximando-se de seu parceiro. Mesmo desejando um contato sexual, há falta completa de controle de suas reações físicas de rejeição.

É uma disfunção não muito freqüente e geralmente acomete mulheres com um nível intelectual alto, de boa situação econômica, com jeito de ser do tipo controlador e com dificuldades de intimidade.

Mas, e por quê?

Vários fatores podem determinar o Vaginismo. Sempre devemos observar se há alguma causa orgânica para dor durante o ato sexual, como os desequilíbrios hormonais, nódulos dolorosos ou infecções nos genitais. O uso de algumas medicações que tenham como efeito colateral a diminuição de lubrificação vaginal também devem ser pesquisados.

As causas psicológicas mais profundas são:
 

situações traumáticas de abuso sexual ou estupro
mensagens anti-sexuais durante a infância (como escutar dos pais que sexo é sujo)
culpas
comportamento sedutor ou controlador por parte dos pais
dificuldade em unir amor com sexo na mesma pessoa (esposa X prostituta)
raivas entre o casal
competição temida com o pai ou mãe, entre outros.

E tem solução?

Vaginismo é uma disfunção relativamente fácil de se tratar quando se tem como objetivo apenas capacitar a paciente para a penetração. No entanto, até a mulher procurar ajuda, muitos anos de sofrimento podem se passar. Geralmente é o ginecologista que descobre que sua paciente tem dificuldades em realizar o exame. Ele a encaminha ao Terapeuta Sexual para avaliar a necessidade de uso de alguma medicação e preparar emocionalmente a paciente para enfrentar o tratamento de dessensibilização, técnica mais indicada para essa disfunção sexual. Nos casos moderados e graves de Vaginismo, a Psicoterapia de Orientação Analítica é fundamental para possibilitar a paciente a buscar o ginecologista.

Técnica de dessensibilização

A dessensibilização é realizada pelo ginecologista e consiste em expor a mulher gradativamente à situação de penetração vaginal com o uso do dedo ou de cones específicos para o tratamento. Inicia-se com a orientação de como são os órgãos genitais femininos, mostrando à mulher com um espelho sua própria anatomia. Em seguida, tenta-se introduzir um dedo na vagina. Gel lubrificante é utilizado. Com o desenvolvimento da técnica, a mulher vai reduzindo sua hiper-sensibilidade vaginal, permitindo a introdução de cones e após, do pênis de seu parceiro sexual. As tarefas com o parceiro são realizadas na intimidade do casal. O ginecologista atua como facilitador, tentando diminuir as fantasias da mulher de se sentir rasgada, perfurada ou dilacerada.

Psicoterapia de orientação analítica

Indicada para os casos onde há conflitos emocionais moderados a graves, como, por exemplo, abuso sexual na infância. Consiste em sessões psicoterápicas onde a paciente é convidada a falar tudo que lhe vem à mente. O Terapeuta Sexual, através da interpretação, confrontação e clareamento, vai ajudar a paciente a compreender a ligação entre seus problemas mais profundos e o sintoma sexual do vaginismo. Com o alívio dos temores e fantasias de dor e de invasão pessoal, a paciente pode ser reencaminhada para seu ginecologista para a dessensibilização.

VAGINA.

Por muito tempo o homem foi a norma da mulher, sendo o pênis o padrão de medida da genitália dela. Apesar disso, a representação feminina é mais antiga, visto que o órgão masculino teve um reconhecimento tardio no processo da reprodução. Mas, ao longo dos séculos, as referências à vagina transformaram-na de potente para vergonhosa. Nesse processo, já foi considerada suficientemente poderosa, a ponto de ser utilizada como um catalisador para resgatar a terra e toda a vida da destruição, sendo capaz de afastar o mal. Porém com o advento do Cristianismo, passou a ser vista como fonte de todo o mal, tornando-se indispensável, assim, sua repressão. Hoje relacionada com a pornografia, é negativa e vergonhosa: uma representação triste e bem pobre de um órgão de reprodução e prazer.

Mas, falemos sobre a estrutra da vagina. Com grande número de terminações nervosas e paredes elásticas, a vagina é o canal do órgão sexual feminino e parte do aparelho reprodutor, que se estende desde o colo do útero até a vulva. A sua parte interna que vai até a porção inicial do útero denomina-se canal vaginal, e apresenta origens embriológicas distintas. Já o sistema reprodutor feminino, localizado no interior da cavidade pélvica, é composto por dois ovários (gônadas que produzem hormonios sexuais femininos), duas tubas uterinas (ou trompas de Falópio, que são os ductos que unem o ovário ao útero), útero (órgão oco localizado na cavidade pélvica anterior à bexiga e posterior ao reto, de parede muscular espessa e revestido internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas, o endométrio) e vagina.

A genitália externa, também chamada de vulva, é protegida e delimitada por duas pregas intensamente inervadas e irrigadas, os grandes lábios que são recobertos por pêlos pubianos e envolvem os pequenos lábios, vagina, uretra e clitóris. Mais internamente, encontram-se os pequenos lábios, que têm a função de proteger a abertura da uretra e da vagina. Também na vulva encontra-se o clitóris, parcialmente escondido pelos pequenos lábios e incrivelmente sensível ao toque, formado por tecido esponjoso erétil.

No limite entre a vagina e a vulva constitui-se uma dobra denominada hímem, símbolo e sinal da virtude vaginal, que se encontra na porção anterior do canal em mulheres virgens. O hímem é uma membrana fina e circular, com algumas perfurações que permitem a saída da menstruação, capaz de fechar parcialmente o orifício vulvo-vaginal. Normalmente perfurado durante a primeira relação sexual, podendo ocorrer sangramento, ainda que atividades que não envolvam sexo possam causar o seu rompimento.

A vagina aumenta de tamanho quando estimulada sendo capaz de se acomodar ao pênis: avança para um curto, recua para um comprido, se dilata diante de um groso e se contrai para um fino. De paredes elásticas, liga o colo do útero aos genitais externos. De cada lado da abertura vaginal existem duas glândulas de meio milímetro, chamadas Glândulas de Bartholin, responsáveis pela secreção de um muco lubrificante durante a cópula.

O pH da vagina deve ser ácido a fim de evitar infecções na região. Seu odor característico se dá pela presença de bactérias presentes na flora microbiana. Mas é importante cuidar da higiene da vulva para evitar a presença de microorganismos capazes de transmitirem doenças e gerar desconforto.

A higienização deve ser feita com água e sabonete neutro (inclusive os íntimos) sem exageros para que não se perca a camada de proteção e desequilibre o pH vaginal, que já oscila dependendo do bem-estar físico, mental e até mesmo da alimentação da mulher. Esses fatores interferem, também, no muco vaginal, agente protetor que vive em constante alteração,  dependendo do ciclo menstrual, assim como das atividades sexuais. Ele é um barômetro da mulher e do seu estilo de vida, sendo também capaz de demonstrar quando ela está ovulando. Nessa época ele se faz pegajoso e com aspecto de clara de ovo, facilmente permeável aos espermatozóides.

É a partir da adolescência e sob a ação de hormônios que os folículos ovarianos começam a crescer e a se desenvolver, secretando estrogênio. Todos os meses, apenas um folículo completa o ciclo de desenvolvimento e maturação, rompendo-se e liberando o ovócito secundário, num fenômeno conhecido como ovulação, que ocorre aproximadamente na metade do ciclo menstrual.  Ele é composto de 28 dias e acontece devido a fatores controlados por hormônios com a função principal de preparar o organismo para a gestação. O primeiro dia do ciclo é o início da menstruação, uma descamação do endométrio acompanhada de saída de sangue.

Outro ponto importante, e ao qual não se dá a devida atenção, é a função do assoalho pélvico, também conhecido como pubococcígeo, formado por músculos e ligamentos que sustentam os órgãos pélvicos. Ele deve ser exercitado com a função de melhorar a excitação sexual e diversos outros problemas que surgem a partir do afrouxamento de tais musculaturas, desde questões simples, como a incontinência quando se tem acessos de tosse, espirros, ou atividades musculares, que aumentam a pressão intra-abdominal, até as incontinências urinárias mais graves, em se faz necessário um tratamento mais específico. Exercitar tais músculos facilita tanto na hora do parto normal, quanto na recuperação, evitando-se, assim, que a mulher tenha tardiamente uma ptose de órgãos.

De diversos nomes, representações culturais diferentes e coberta de mensagens confusas, para muitos a vagina é o canal da vida, a sede do prazer feminino. Para outros, um órgão temido a ser coberto, um recipiente passivo. Mesmo que a importância da anatomia sexual feminina, para a reprodução e o prazer, seja inegável, o conhecimento de sua estrutura e função continua a engatinhar. Por que tanta desinformação num século governado pela informação?

USO DA CAMISINHA.


Mesmo que muitas coisas já tenham sido ditas sobre o seu uso, as pessoas ainda são resistentes a fazerem da camisinha um hábito.

Ninguém vem com um rótulo de segurança máxima, assim, mesmo em relações consideradas estáveis, seu uso é fundamental na prevenção de várias doenças sexualmente transmissíveis, pois mesmo quando não há sintomas visíveis, são potencialmente contagiosas. É certo que AIDS não tem cara. Se antes havia grupo de risco, hoje não há mais. Atualmente o maior grupo de risco existente é aquele que se acredita imune.

Temos por hábito esquecer que o parceiro tem passado e que as doenças têm janelas imunológicas. Não podemos deixar de lado as consequências do sexo desprotegido. Esse é um assunto de saúde pública. Há dúvidas sobre quem batizou a camisinha. Há quem acredite que o nome condom é devido a uma homenagem ao Dr. Quondam, que com bastante sucesso em 1685 inventou uma camisinha com tripa de animal. Outros dados históricos mostram que o nome vem do latim (condus) que significa receptáculo.

O certo é que a camisinha não é uma invenção nova. Aparece na história da sexualidade antes mesmo de Cristo. Já foi feita de linho, de pele, intestino de diferentes animais e de bexiga de cabra. A camisinha de tripa de boi, por exemplo, foi usada até 1870, quando foi fabricado o preservativo de borracha pelo inglês Charles Goodyear: grossos, reaproveitados, pouco aderentes, desiguais e caros. Pouco tempo depois, no final do século 19, o látex surgiu, permitindo um aspecto mais fino e confortável, parecida com as que são utilizadas hoje em dia. Na década de 60, acabou em desuso pela invenção do anticoncepcional oral feminino, mas em 90 ele retorna devido à epidemia de AIDS. Vale lembrar que as doenças venéreas recebem esse nome devido à crença antiga de que era um castigo da deusa do amor, Vênus.

A forma de preservação contra elas mais conhecida e utilizada é o preservativo de látex masculino capaz de formar uma barreira física entre o pênis e a vagina. Eles podem ser lubrificados ou revestidos de espermicidas. Existe uma variedade de marcas, tamanhos, cores e texturas. Com ele, diferentemente dos outros métodos, os homens podem se encarregar na prevenção de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e gravidez. Como é um método de anticoncepção ocasional, seu uso pode ser interrompido em qualquer momento. Não apresenta efeitos colaterais hormonais e há homens que garantem que ela ainda ajuda a controlar a ejaculação.

Há também a opção da camisinha feminina: uma bolsa de plástico com um anel leve e flexível em cada extremidade, que se adapta à vagina, resguardando o colo do útero e genitália externa. Assim como a masculina impede a passagem do esperma pelo do trato genital feminino e deve ser usada somente uma vez.

É mais cara do que a masculina e vem em embalagem com duas unidades e sua eficácia na prevenção de DSTs e gravidez é menor do que a camisinha masculina. As vantagens no seu uso são que a camisinha feminina pode ser posta antes da relação sexual e não precisa ser retirada imediatamente após a ejaculação. Não é feita de látex, é mais resistente e para mulheres que se queixam de alergia a camisinhas masculinas essa pode ser uma alternativa.

Independentemente de amar e ser amado, é preciso ter carinho consigo e usar camisinha. Ao compartilharmos afeto é essencial a prevenção de qualquer mal. Sexo inconsequente e sem segurança é irresponsabilidade com o outro e consigo.

É preciso deixar de lado o preconceito, e entender a necessidade da conscientização e democratização do seu uso. Sexo é responsabilidade e saúde. E para isso, algumas coisas não podem ser deixadas de lado.

E lembre-se: camisinha é descartável. Sua vida não.

TRÊS DICAS BÁSICAS PARA UMA VIDA SEXUAL SAUDÁVEL E PRAZEROSA.

1. Sexo não se nasce sabendo, aprenda com seu corpo!

Uma das maiores causas de problemas sexuais está na desinformação e na falta de conhecimento do próprio corpo. Se não sei como reajo ao estímulo sexual, quais partes de mim são mais sensíveis ao toque, como poderei tirar maior prazer de mim mesmo e de um parceiro? Busque orientação especializada! Em algum momento, na sua intimidade, vasculhe seu corpo, observe-se no espelho, compare os pontos de seu corpo que mais lhe provocam sensações prazerosas. Para ensinar um parceiro a lhe dar satisfação, é necessário que você o ensine. Não há vergonha alguma em aprender. Geralmente o processo de descoberta e de aprendizado por si só já é bastante afrodisíaco.

2. Não focalize sua atenção no orgasmo e sim, nas sensações!

Se você inicia um envolvimento sexual ansiando logo pelo prazer final, há uma grande probabilidade de haver, cedo ou tarde, alguma forma de frustração, sua e/ou de seu parceiro. A rotina impera! O objetivo passa a ser o fim, e não o meio. No sexo, as coisas não funcionam assim. O orgasmo é o coroamento de um relacionamento sexual, muito desejado, necessário, mas não indispensável em todos os momentos. Por vezes, experimente gratificar seu parceiro, dar-lhe boas sensações, prorrogar ao máximo o clímax dele. Deixe passar essa vez, adie para o próximo encontro. É, sem dúvida, um tempero importante para resgatar o desejo em um casal.

3. O risco como afrodisíaco: limites para a saúde sexual

Buscar sexo em situações proibidas e de risco é uma via de duas mãos. Sabemos que o medo de leve intensidade pode estimular o desejo sexual. No entanto, qual é o limite de exposição a um risco, e em que circunstâncias devemos interromper a atividade sexual para não sofrermos danos?

Você não Sabe a Resposta!

A Fantasia é um substituto eficaz e seguro para a pessoa que precisa de riscos e proibições para se estimular sexualmente. Fantasie junto com seu parceiro, crie histórias, não há limites para os sonhos. Mas envolva-se sexualmente com segurança. O uso de condom (camisinha) e de algum outro método contraceptivo é de vital importância para a prevenção a danos. Não produza preocupações desnecessárias (já bastam as que vêm espontaneamente).

A tensão desvia o prazer.

TIPOS DE PROBLEMA SEXUAL.

Tipos de Transtornos Sexuais: três grandes categorias

Os problemas sexuais são conhecidos como Transtornos Sexuais na linguagem médica. Dividem-se em três grandes grupos:
 

As Disfunções Sexuais
As Parafilias
Os Transtornos de Identidade de Gênero

Disfunção Sexual

A Disfunção Sexual é um problema que pode afetar o desejo sexual e/ou alterar as respostas psicofisiológicas do corpo frente aos estímulos sexuais, causando sofrimento e insatisfação não só na pessoa, como também no seu par. Aline não consegue chegar ao orgasmo, frustrando-se constantemente. Ela tem Anorgasmia.

Outras Disfunções Sexuais femininas são: Desejo Sexual Hipoativo, Aversão Sexual, Transtorno de Excitação (Frigidez), Dispareunia (dor na relação sexual) e Vaginismo (contração involuntária dos músculos perineais que impedem a penetração).

Nos homens, encontramos o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, a Aversão Sexual, a Disfunção Erétil (Impotência), a Ejaculação Precoce (ou Prematura) e a Anorgasmia.

As disfunções sexuais são freqüentes e relativamente fáceis de se tratar com ajuda especializada, principalmente as que acometem as fases de excitação ou de orgasmo.

Parafilia

A parafilia antigamente era chamada de Desvio Sexual ou Perversão. É caracterizada pela presença de fantasias ou vontades sexuais estimulantes e persistentes relacionadas:
 

com objetos não humanos
com humilhação de si mesmo ou de parceiros
com crianças ou pessoas que não estão consentindo com o ato sexual

Paulo tem uma Parafilia chamada de Exibicionismo, onde há uma necessidade repetida de se obter prazer expondo-se sexualmente a pessoas estranhas, sem os seus consentimentos.

Outras formas de Parafilia são: o Sadomasoquismo (quando a satisfação erótica advém da prática de maus tratos físicos e/ou morais infligidos ao parceiro sexual e a si mesmo), a Pedofilia (sexo com crianças), o Voyeurismo (espiar pessoas estranhas nuas ou tendo sexo sem estas perceberem), o Fetichismo (quando o prazer consiste em amar não à pessoa, mas a uma parte dela ou um objeto de seu uso), o Frotteurismo e o Fetichismo Transvéstico.

O tratamento básico para esses tipos de problema sexual é a psicoterapia.

Transtorno de identidade de gênero

O Transtorno de Identidade de Gênero caracteriza-se pela pessoa acreditar ou querer ser do sexo oposto, tendo um sofrimento e uma estranheza muito grande com seu próprio sexo e com o seu papel social. João tem esse tipo de problema sexual. O tratamento desse transtorno é mais difícil de ser feito. Por vezes, essas pessoas mudam de sexo através de uma série de cirurgias plásticas reconstrutivas. É indispensável que a pessoa procure atendimento psiquiátrico para, através de psicoterapia e apoio, poder enfrentar as dificuldades para assumir nova identidade e lidar com possíveis frustrações.

TERAPIA SEXUAL.

Procedimento muito eficaz realizado por um terapeuta sexual, profissional – médico ou psicólogo – especializado no tratamento dos distúrbios sexuais, apto a esclarecer os problemas orgânicos e/ou emocionais relativos a tais demandas. Vale lembrar que, muitas vezes, mesmo que a disfunção tenha um caráter estritamente orgânico, não significa que o emocional não esteja abalado. Assim, uma terapia sexual também se faz necessária, paralelamente ao acompanhamento médico, para que a autoestima seja recuperada. Diferentemente do médico, o psicólogo especialista em sexualidade humana se encarrega do tratamento das disfunções em que a causa não seja física. Alguns pacientes chegam ao consultório do terapeuta com questões vividas de forma camuflada, por anos a fio, pois tentou-se a todo custo não encarar o problema de frente, alimentando mais a insegurança e o desconhecimento de que tal questão pode ser tratada e ultrapassada.

Algumas disfunções têm razões simples e próximas ao dia-a-dia, ao estresse ou à ansiedade. São as que têm um fundo psicológico e que mesmo tendo relação com a forma de viver, ou seja, tem uma causa mais imediata, nem sempre é de mais fácil tratamento. Outras, de causa orgânica também podem modificar a resposta sexual e interferir na vida cotidiana. Para a questão orgânica da disfunção, somente um médico poderá ajudar a pessoa através de exames físicos e complementares que confirmem ou esclareçam a doença.

Já foi o tempo em que as disfunções eram taxadas como doenças. Hoje, o seu contexto é ampliado e elas são entendidas como representações de influências culturais e emocionais. Assim, seus sintomas não podem ser tratados de forma isolada, mas, ainda assim, não justifica, na maioria das vezes, um tratamento prolongado.

No consultório de psicologia, o objetivo é combater a ansiedade existente, desmistificando crenças falsas, e trabalhando os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal. Para tanto, a psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual, terapia de casal ou, ainda, o conjunto dos dois processos.

O tratamento tem início em uma entrevista individual, às vezes seguida por outra com o casal, quando são esclarecidos alguns mitos em relação ao tratamento e ao processo em si. É nesse momento que são traçados os objetivos do tratamento, onde muitos respondem de forma rápida e favorável ao processo, abolindo alguns impedimentos ao funcionamento sexual normal e prazeroso. Com o caminhar do processo, espera-se que o casal possa desvendar respostas sexuais em si ou no (a) parceiro (a), nunca antes percebidas.

A terapia individual objetiva criar condições para ampliar o autoconhecimento e possibilitar o prazer consigo, a partir de um aprendizado sobre como é construído tal sintoma, ou seja, o que esse quadro tem a contar sobre a pessoa e sobre a sua forma de funcionar na relação e com o meio. É na terapia, portanto, que se revê falsos conceitos e se fornece orientação, possibilitando novas perspectivas.

Já, a terapia de casal objetiva facilitar a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre o funcionamento da relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma o casal se perde em sua vida cotidiana, e como isto se reflete na dinâmica sexual. Devemos lembrar que ao se falar de sexualidade, na maioria das vezes, o seu exercício se faz em em parceria. Por isso, é de suma importância que em alguns momentos o parceiro seja incluído no tratamento já que toda disfunção lhe repercute em maior ou menor grau.

Como aliado ao tratamento, o terapeuta sexual pode utilizar alguns exercícios sexuais realizados em casa, onde se pretende reforçar alguns estímulos que possam estar esquecidos. A ajuda de um terapeuta sexual merece consideração, já que para as questões sexuais de ordem emocional não há medicamentos que possam ajudar a superar tal quadro.

Talvez, a parte mais difícil seja reconhecer que se precisa pedir ajuda, que não há razão para carregar tanto peso sem apoio. É importante que se procure por um profissional qualificado, e não se sinta constrangida(o). A disfunção sexual já revela muito mais sofrimento do que a procura por um profissional que possua conhecimentos dos mecanismos da resposta sexual.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde sexual, além de ser um direito, é considerada como um elemento importante para o bem estar pessoal. Preconceitos e vergonhas fazem parte do (não) reconhecimento da existência de problemas na esfera sexual. Se obstáculos ‘reais’ são complicados, depois de ultrapassar a barreira da vergonha em pedir ajuda a um profissional, poderá perceber que a sua sexualidade pode ser muito mais prazerosa e gratificante do que vinha sendo exercitada anteriormente ao tratamento.

SEXUALIDADE NA GRAVIDEZ.

Com a gravidez, muita coisa se faz nova e a vida sexual faz parte dessa novidade. Tanto a gravidez quanto o pós-parto é cheio de mudanças biológicas, psicológicas e inter-relacionais que marcam – direta e indiretamente – a sexualidade. Tal momento poderá originar um aprofundamento da experiência sexual do casal, capaz de aumentar a cumplicidade ou gerar dificuldades.

As mulheres ficam mais carentes e precisam como nunca da aliança com o parceiro, da sua proximidade, carinho, proteção e do seu afeto. Se por um lado, algumas dificuldades podem acabar por distanciar o casal levando a uma expressiva diminuição do desejo, por outro, nessa fase alguns hormônios são capazes de deixá-las mais excitadas. Além da vantagem de não haver preocupação em se prevenir de uma gravidez ou mesmo em conseguir engravidar.

Os homens costumam, hoje em dia, a participar dessa época ativamente. Assim, o casal passa por momentos de adaptação físicas e emocionais, incluindo as relacionadas com a relação sexual. Alguns parceiros relatam sintomas de gravidez também. Eles não passam pelas mesmas alterações femininas, mas podem ser afetados por questões como a criação do filho, ansiedade referente ao momento do parto, a responsabilidade em ser pai, a visão da gravidez como um momento sagrado (levando a diminuição do seu desejo sexual), diminuição da atração sexual pela novas formas da parceira, medo de machucar o bebê ou a parceira com a penetração, sentimento de exclusão da relação e conseqüente ciúmes e o entendimento da figura da mãe e da mulher na mesma pessoa. Esse último fato também é relatado por algumas mulheres que hesitam em buscar a própria sexualidade sem culpa em um momento tão intenso e cheio de emoções diversas.

Assim, falar de sexo na gravidez é falar dos mitos e fantasmas que limitam o prazer sexual do casal. Alguns podem interferir na tranqüilidade sexual do casal, como o medo da penetração. Mas não há porque se preocupar; o bebê está bem protegido dentro do útero por algumas camadas de músculos, pelo saco gestacional e por uma mucosa que bloqueia a entrada uterina. Além disso, o sexo é capaz de fortalecer os músculos do períneo que ajudam na hora do parto, além de deixar a mãe feliz e relaxada. E se o bebê sente tudo o que a mãe sente, sexo é bom durante toda a gravidez.

Mas se o casal não se sente à vontade para que ocorra a penetração, outras maneiras podem ser experimentadas. Afinal sexo não se resume a ela, envolve jogos eróticos, sexo oral ou anal e a masturbação. Então, use a criatividade, pois há alternativas de se relacionar sexualmente caso o obstetra* avise que é melhor a abstenção sexual. Descubra novas fontes de prazer que não precisam ser deixadas de lado.

Claro que algumas patologias podem impedir o exercício da atividade sexual. Caso tenha ocorrido algum sangramento de escape (ou spotting) no início da gestação é aconselhável que não haja sexo com penetração até a 14ª semana. Também não se recomenda o sexo quando ocorre deslocamento da placenta, perda de líquido amniótico ou ameaça de aborto. Dilatação precoce do colo do útero e pressão alta no final da gravidez também pedem cuidado. Além desses, caso haja sensibilidade vaginal aumentada, infecções recorrentes, lesões vaginais ou dor, o sexo também deve ser interrompido. A situação sempre deve ser pensada com a ajuda do binômio: conforto X desconforto.

Claro que nos primeiros meses, enjôos, dores no seio, cansaço, náusea e preocupações gerais podem acabar diminuindo o bem estar e o desejo sexual da mulher. É o pico da progesterona no ovário também. Normalmente, as mulheres relatam que no 2º semestre é quando ocorre o desejo mais intenso de suas vidas sexuais por ganharem mais disposição e energia por conta do hormônio do crescimento GH. Além disso, a vagina está sensível devido à maior vascularização da região.

Nos últimos meses, o volume da barriga e o desconforto na lombar também podem influenciar na queda da libido, havendo um desligamento quase que automático em relação ao sexo. Os casais precisarão procurar por novas posições capazes de deixar a barriga mais à vontade, como lado a lado, ou por trás. Durante o último mês, não há um consenso entre os obstetras. Enquanto alguns recomendam abstinência até o final da gravidez, outros acreditam que seja necessário só na última semana.

Mas após o parto, a abstinência é recomendada. Além disso, a mulher normalmente apresenta um menor desejo sexual nessa época devido ao aumento da prolactina e ao próprio cansaço com a adaptação dos cuidados iniciais com o bebê, o que se associa para inibir o desejo. Essa falta inicial de desinteresse é natural e até mesmo desejável, pois o corpo necessita se recompor das mudanças e do estresse tanto da gravidez quanto do parto. Com o tempo, e aos poucos, o desejo e a vida sexual retornam. Conversar e ter paciência é bem vindo e o apoio desenvolvido nesse momento permite a aproximação e a continuação da sexualidade num futuro próximo.

*O primeiro cuidado que se deve pensar durante a gestação é um acompanhamento pré-natal adequado.

SEXUALIDADE E PESO.

A forma corporal ainda é vista como um passaporte para o exercício da sexualidade. Só estão aptos aqueles que têm no corpo a expressão da saúde, ou seja, os que são magros.

Desde o início do século passado quando a indústria começou a estabelecer parâmetros de magreza, normalidade e sobrepeso, quem estivesse fora das categorias respeitáveis, estaria sujeito a toda sorte de doenças, transformando-se em um símbolo visual abominável.

Teorias foram surgindo para dar conta de tal angústia e a de Freud contribuiu nesse entendimento, onde pessoas obesas tinham perturbações durante a fase oral. Afirmou-se que seriam incapazes de saber a diferença entre fome e saciedade ou entre a vontade de comer e outras emoções representativas.

Hoje foi lançado um corpo certo, escravo da indústria da moda e de dietas: um modelo ideal de formatação, o valor do indivíduo. A roupa de grife deveria ser mais do que vestida, deveria ser o corpo, adequado ao local e à época. Assim, começou uma rejeição pelos obesos, especialmente as mulheres, que deveriam ter o total controle sobre seus corpos e vontades. São elas que mais se envergonham, sentindo-se pouco à vontade em sua intimidade. Os homens não sofrem tanto com a rejeição corporal, absolvidos por uma posição sócio econômica compensatória, por exemplo.

O medo mórbido de engordar surge pelo aprendizado de que o corpo é desagradável podendo se transformar em inimigo fora de controle. E essa relação é um reflexo da própria vida, visto que o corpo passa a ser encarado como um espelho da impotência, da culpa e da rejeição, onde o vazio interior, muitas vezes passa a ser preenchido com a comida, numa tentativa de ocultar questões que, não resolvidas, vão piorando cada vez mais. Comportamentos compensatórios começam a surgir como isolamento, evitação de praias e piscinas, ou seja, atitudes que falam de um medo de ser (mal) visto e não amado.

Hoje já se sabe que o alimento é condutor de sentimentos capaz de tornar-se problemático quando supre afetos, medos e rejeições. Assim a obesidade é uma expressão dinâmica, resultado da combinação de fatores familiares, sociais, culturais, metabólicos, alimentares e genéticos. O resultado disso, o corpo e a forma de percebê-lo, compromete a autoconfiança e a autoestima. Por mais que pesquisas já tenham apontado para o fato de que não existe distinção expressiva em relação à frequência sexual, ou o desejo entre mulheres com peso considerado normal, e aquelas que estão acima do peso, as últimas ainda se sentem inseguras em seu envolvimento com o parceiro e muitas sofrem pelo temor da não aceitação ao se sentirem impróprias aos padrões sociais ditados.

Estudos já puderam comprovar que as mulheres com sobrepeso ou obesas são tão sexualmente ativas, ou até mais, em relação às outras. Mas o estereótipo de que é preciso ser magra para se ter sexo ainda é comercializado. Para algumas, o desejo sexual está intimamente atrelado às formas corporais: emagrecendo, o desejo aumenta, engordando ele diminui. Mas não existe uma correlação com o índice de IMC e a insatisfação sexual.

De qualquer forma, caso não se sinta confortável com o próprio corpo, alguns subterfúgios podem ser criados para que fique mais fácil entrar no clima na hora da relação sexual. Se permita ficar com uma blusa transparente ou à meia luz, por exemplo. Experimente o que essas sensações podem trazer e seja capaz de desfrutar tal momento.

Perceber o corpo é resumir várias experiências acumuladas durante a vida. A imagem corporal é um retrato interno feito da soma das atitudes e sentimentos em relação a própria aparência. Não é uma questão isolada, mas faz parte de um contexto que tem a ver com o estilo de vida e autoestima. Assim, a sexualidade é mais do que a forma como olhamos para ela, é a forma como olhamos para nós. Por isso, a satisfação não se encontra no corpo de cada um e sim na possibilidade de se permitir o encontro com o prazer.

SEXUALIDADE DOS CEGOS.

Falar da sexualidade já é algo que traz preconceitos e inseguranças. Se a desinformação é um obstáculo social, comprometendo o desenvolvimento sexual de quem enxerga, tratar da sexualidade do deficiente visual é ainda mais nebuloso. A falta de conforto em se falar sobre tal tema o transforma em verdadeiro tabu, pois o desconhecimento cria percepções errôneas, privando os cegos de uma vida sexual plena e prazerosa. Por quê? Será que eles não precisam de formação referente à sexualidade?

Um bom exemplo disso é que nesse mundo onde um dos componentes mais fortes do marketing é o estímulo visual, os cegos ficaram de fora nessa cultura carregada de imagens. É sabido que uma das principais características em vivenciar a sexualidade se constrói baseada na visão. O olhar aproxima, atrai ou afasta o consumidor. Apesar disso, enxergar não é fundamental para o desenvolvimento da sexualidade. Não é a cegueira que impede a pessoa de ver.

Não podemos deixar de pensar que esse é um assunto, inclusive, de difícil acervo bibliográfico, ainda que o Brasil some quase 17 milhões de pessoas que possuem algum grau de deficiência visual. Estamos falando de mais do que a metade dos portadores de deficiência brasileiros.

Pela falta de aproximação dos dois mundos - dos que enxergam e dos que não enxergam - cria-se um mundo de preconceito. Há uma ignorância em massa que aumenta o desconhecimento, descartando-se a possibilidade do exercício saudável da sexualidade. É preciso inclusão para que haja mudança de atitude. Para tanto, se faz necessário desconstruir a idéia vigente, dando lugar, não só à inclusão social, como também à qualidade de vida, conseguida através da conscientização da sociedade. Afinal, é ignorância elaborar preconceitos sem tentar conhecer a realidade. Convém esclarecer e mostrar que falta de visão não é falta de sexualidade.

As questões da sexualidade são pertencentes a todos, deficientes ou não. Infelizmente, nem todos percebem que os cegos não são seres assexuados. Antes de serem cegos, são homens e mulheres.

Sabe-se que o olhar funciona como uma linguagem de atração. É um estado inicial que, quando ultrapassado, se conecta aos outros sentidos: olfato, audição, tato e até paladar. A imagem é construída pelo conjunto de todos eles. Ultrapassado o momento inicial da atração, os outros sentidos são somados para compor o momento. Ou seja, ainda que a visão seja um poderoso estímulo na sexualidade, os cegos aprendem que nem todas as visões são impressas pela retina.

Por conta da ausência de um dos sentidos, tais pessoas percebem de forma mais aflorada aquilo que tocam, cheiram ou ouvem. Há um pouco do olhar em cada um desses sentidos que faz com que a sexualidade possa ser percebida por todos eles. Não é preciso ver com os olhos para se gostar de alguém. Outros fatores são importantes na atração: a simpatia, a inteligência, o papo. Há outros meios de avaliação que não a beleza física. A visão traz análises superficiais: a aparência, todos sabem, ilude.

Devido a uma sensibilidade aguçada, o sexo encontra-se vinculado ao amor e ao carinho. Mais importante do que o ato em si são as carícias e a estimulação de todos os sentidos. A sexualidade é ampliada para a inclusão da afetividade. Os cegos sabem que a afinidade não depende só dos olhos.

SEXUALIDADE DO CASAL INFÉRTIL.

Chega um momento da vida de homens e mulheres que o casal deseja ter um filho. Mas o que fazer quando eles não conseguem? Hoje, a intervenção médica é uma possibilidade já que a medicina está avançada, capaz de ajudar o casal com dificuldade de engravidar. Isso tem um lado positivo mas gera uma alta expectativa nos resultados. O saber médico, o poder desse saber, demanda uma urgência nos resultados quando o corpo é o obstáculo a ser superado à realização do desejo de gerar. A demanda fica presa na trama orgânica e a sexualidade passa a ser regida pelo calendário. A vida sexual perde seu caráter de privacidade e espontaneidade. Relações são planejadas com hora marcada.

Além disso, não são mais dois seres, mas uma equipe que toma conta do corpo, revirado, violado. Para a medicina, a infertilidade é algo pra ser tratado, um sintoma, mas os aspectos emocionais devem ser levados em consideração, nesse percurso angustiante que acarreta fortes questões emocionais, onde seguidas frustrações geram um alto custo emocional ao casal. Às vezes, a infertilidade é mais um sintoma do desajuste relacional. A aspiração de ter o filho, muitas vezes, é o único objetivo dos dois, o que ainda os mantêm unidos. Quando esse casal chega à terapia, é preciso desfocar para trabalhar a relação conjugal, entender as consequências de tal dificuldade no dia-a-dia e no funcionamento deles.

Normalmente, tal momento revela uma de crise entre o casal, podendo trazer hostilidade entre eles, sentimentos de culpa e impotência, além de frustrações que podem abalar a estabilidade da relação, levando à separação. Além da relação do próprio casal, as relações familiares, sociais e mesmo o desempenho profissional pode ficar prejudicado.

Muitos homem se queixam de falta de libido, distúrbios ejaculatórios e disfunção erétil. A cada mês, sentem como se a sua masculinidade estivesse sendo posta à prova. Mas, diferente das mulheres, o sofrimento masculino é silencioso. Sofre por si e pelo sofrimento da mulher. Mas, muitas vezes, ela não sabe disso. Um momento de grande tensão para ele pode ser a época da menstruação, por exemplo. Se ele não pergunta é porque não se interessa; se pergunta, o questionamento pode soar como cobrança.

Algumas mulheres se sentem culpadas. Cobradas pelo mercado de trabalho, pelo homem que quer ser pai e por elas próprias, que sentem necessidade de experimentar o papel de mãe, já que muitas veem a maternidade como objetivo primário da maturidade. É frequente, durante o tratamento, o pessimismo aparecer como uma defesa contra as expectativas. Como se não bastassem as demandas, aparece também a família, que cobra do casal a formação de uma família, com o nascimento de uma criança.

É comum a presença de disfunção sexual associada à questão da infertilidade. O sexo pode se revelar frustrante, pois passa a ser vigiado, não mais trazendo prazer, mas sendo uma ferramenta para trazer uma criança ao mundo.

SEXO VIRTUAL.

Todos sabem que o progresso tecnológico tem levado ao individualismo, acirrando o distanciamento. Por outro lado, e como medida de suprir as carências afetivas e emocionais, as pessoas têm se aproximado pela internet, que facilita a comunicação e encurta as distâncias.

No mundo virtual, é crescente a procura por sites eróticos, onde pessoas realizam as fantasias mais inconfessáveis. Para entrar nesse mundo sem censura basta apertar algumas teclas. Podendo usá-lo como um aliado, grandes são os benefícios. Podemos, inclusive, estar falando de uma nova possibilidade de entendimento da sexualidade, em que a ideia é ter um equilíbrio saudável entre os estímulos virtuais e reais.

Sabe-se que a virtualidade nos aproxima. Aquilo que nós não encontramos no mundo real, buscamos no virtual, e é lá que se cria o mundo que se quer, usando-o como se ele existisse.

Virtualmente perfeito, pois depende apenas da imaginação de cada um. Ou seja, muitas vezes o virtual é o estímulo do imaginário, aquilo que dá início à libido. É um universo amplo, rápido e presente onde o corpo físico se exclui da relação. Há um enorme debate sobre se tal procura significa uma carência no relacionamento afetivo ou sexual.

Porém, para aqueles que estão numa relação e procuram tais sites, há quem acredite que nem sempre o sexo virtual precisa ser encarado como traição.

Como a masturbação, ele pode ser um caminho para a erotização e o conhecimento. Assim, dentro desse contexto, não é sinal de que o relacionamento está afundando, podendo, até mesmo, melhorar a performance do casal. Mas, devemos sempre nos questionar sobre o limite de tal prática.

Costuma haver um pequeno limiar entre um comportamento saudável e o vício que se caracteriza quando a pessoa deixa de conseguir viver sua vida real, preferindo a virtual, que passa a ser a única fonte de prazer. O indivíduo se abastece no virtual da necessidade real de contato, o que contribui para um isolamento perigoso e doentio.

Normalmente, as pessoas viciadas sofrem de timidez patológica e, pela dificuldade de exposição, há uma consequente dificuldade de relacionamento, o que contribui para um isolamento sócio-afetivo. Assim, se relacionando através do virtual, o risco de se expor, ou de não ser aceito, é diminuído em função do anonimato.

E lá, as características são potencialmente acentuadas. Todos podem ser tudo o que gostariam. Os personagens são criados para esconder a identidade verdadeira. Na verdade, há um encontro de identidades múltiplas editadas conforme o contexto, o que possibilita um caminho aberto na vazão dos desejos e fantasias. É fato que a internet está ajudando as pessoas a liberarem aquilo que estava reprimido, proporcionando o estímulo para que a fantasia se desenvolva num ambiente de maior permissão.

Mas, e como tudo tem um limite, deve-se procurar por tratamento quando ela passa a ser uma válvula de escape e não mais aquela ferramenta positiva, quando o foco do desejo está centrado na virtualidade do prazer sexual, e essa passa a ser a única forma de senti-lo. A psicoterapia, uma escolha eficiente no combate das causas, pode ser baseada em terapia individual, de grupo ou mesmo de casal.

SEXO NA TERCEIRA IDADE.

Quando se fala em idoso, logo se pensa num 'velhinho' sem forças ou numa 'velhinha' sentada fazendo tricô. Essa representação entra em choque com a atualidade, pois essas são imagens que não correspondem ao real. A grande maioria da população idosa tem características do envelhecimento sem estar nesse estereótipo. Não muito antigamente, quando a expectativa de vida era menor e, entre tais pessoas, poucos eram os que mantinham uma boa saúde, o aspecto sexual era outro. Muitos se confortavam com a chance de suspender o sexo respaldado numa referência socialmente construída.

Todavia, pessoas idosas, relativamente saudáveis, que gostem de sexo, são capazes de aproveitá-lo. Hoje já se sabe que o interesse sexual é normal em todas as idades. Mas aquilo que no jovem é visto como sexualidade, no velho ainda há os que vêem como libertinagem. Pouco se falava sobre a sexualidade nessa época da vida. Pessoas de mais idade cresceram num ambiente de puritanismos “vitorianos” e mal informados, sentiam-se culpados em relação a qualquer sensação de excitação sexual. Vindos de uma educação repressora, viveram imersos em conceitos hoje considerados retrógrados onde o sexo era pecaminoso, sujo e com objetivo da procriação.

A vivência da sexualidade na 3ª idade nada mais é do que a continuação de um processo que teve início na infância. São os sentimentos de cada um, aliados às alterações anatômicas e fisiológicas trazidas pela idade que modelam o comportamento sexual de tais pessoas. E pelo fato da sexualidade ainda estar muito atrelada a reprodução ainda é difícil perceber a continuidade da sexualidade após determinada idade. Isso acontece mesmo depois do avanço da medicina que pode cuidar de algumas doenças capazes de prejudicar a sexualidade plena, como é o caso de artrites (em alguns casos, as medicações utilizadas em seu tratamento podem diminuir o desejo sexual.

É recomendado exercícios físicos, repouso e mudanças de posição durante o ato sexual), hérnia de disco, diabetes (uma das poucas doenças que podem ocasionar a disfunção erétil), doenças cardíacas (se o coração estiver debilitado, o ataque poderá ocorrer com qualquer esforço físico, não só com o sexo), derrame (pouco provável ser prescrito a interrupção sexual. Outros episódios não ocorrerão por tal esforço), anemia (causa comum de fadiga e da diminuição da atividade sexual) doença de Parkinson, Peyronie, incontinência de esforço e dores lombares. Algumas questões emocionais podem dizer respeito a conflitos conjugais, aposentadoria, morte da pessoa amada além do próprio fato de envelhecer, sem saber o que se espera e como agir diante de tais mudanças.

Informação e aceitação são ingredientes fundamentais entre os parceiros. É preciso descobrir maneiras de utilizar as diversidades e transformações para solidificar a intimidade, aumentar o prazer e satisfação. Porém como se percebe grande dificuldade em se falar sobre a sexualidade é comum a evitação. Além disso, a ignorância referente as transformações anatomofisiológicas levam à evitação sexual. Muitos homens não percebem tais alterações, produtos do ritmo biológico, como normais da conduta sexual originárias da idade, levando a um quadro de ansiedade.

Masters e Johnson puderam demonstrar através dos seus trabalhos sobre anatomofisiologia da resposta sexual que o processo de envelhecimento ocasiona mudanças na atividade sexual dos idosos. Eles perceberam que com os anos, o corpo se transforma. As mulheres sentem tais mudanças na época da menopausa (que marca o final da possibilidade de reprodução e não o término da vida sexual), quando as mudanças fisiológicas atróficas acontecem na pele, na mucosa genital e mamas. A lubrificação vaginal se lentifica e a própria forma vaginal também pode se modificar, ficando mais estreita e curta, mesmo que normalmente continue com tamanho suficiente para que ocorra a penetração. O revestimento vaginal torna-se fino e facilmente irritável, o que pode acarretar rachaduras e sangramento. Acontece o enfraquecimento da musculatura perineal devido a um processo gradual de atrofia. Com as paredes mais finas, bexiga e uretra ficam menos protegidas podendo se irritar durante o ato. Por outro lado, após a menopausa, não existe o temor da gravidez e a mulher já não gasta tanto tempo pra cuidar dos filhos.

Com o homem a partir dos 40 anos a produção de espermatozóide diminui. Também há uma redução na produção da testosterona, porém de forma vagarosa e não muito acentuada. Ocorre também a diminuição da dopamina e um aumento da prolactina, o que reduz o desejo sexual. Há homens que manifestam crises com sintomas psicológicos como depressão e irritabilidade. A ereção torna-se menos rígida e mais lenta, havendo menor urgência de ejacular e um maior controle da mesma, o que pode ser um ponto positivo, pois ao prolongar o ato podem aumentar o prazer enquanto casal. Há uma diminuição do volume ejaculado e da força da ejaculação, uma queda da ereção mais rápida após a ejaculação, seguida pelo aumento do tempo do período refratário. Apesar de todos os estudos realizados, até hoje informações erradas envolvem a sexualidade após a idade madura.

É preciso conhecer e se adaptar às mudanças fisiológicas que surgem com a idade. Cuidar do estado geral da saúde assim como da aparência: higiene descuidada e roupas de ficar em casa rasgadas são formas de perceber desatenção pelo parceiro. Há quem afirme que a maioria dos problemas sexuais nessa idade tiveram início anteriormente, quando o casal estava imerso em preocupação com os filhos e ou trabalho. Tais atividades podem mascarar a falta de comunicação entre eles, voltando com toda a força nessa idade, quando sobra mais tempo para ficarem juntos.

Mas um aspecto positivo é que tendo uma agenda menos apertada, conquistada pela aposentadoria, pode-se perceber qual o momento predileto de se fazer amor, por exemplo, sem ser a noite, quando muitas vezes, um dos parceiros está sem vontade ou cansado. Os médicos afirmam que o aparecimento de disfunções sexuais na terceira idade se dá muito mais devido a problemas de saúde do que a própria idade. Idosos e jovens passam pelos mesmos problemas e preocupações sexuais, a diferença é que os aspectos sociais, biológicos e psicológicos podem exigir maior atenção na 3ª idade. Mas nem a idade, nem a maioria das doenças implicam no fim do sexo.

Claro que uma doença ajuda, faz com que o corpo se confronte totalmente com a ameaça física, aumentando a ansiedade e diminuindo a atenção das sensações sexuais, mas tais mudanças não são inibidoras da atividade sexual. É sabido que a capacidade e desempenho são influenciados por enfermidades físicas e imperativos sociais, capazes de alterar o desejo masculino e feminino, mesmo que este possa se presentificar em toda a vida ainda que em menor intensidade e freqüência.

Fato é que a idade não dessexualiza o ser humano. Assim, não existe limites de idade para se conservar uma atividade sexual ainda que ocorram mudanças fisiológicas. A sexualidade é uma forma de expressar carinho e afeto, sentimentos que não tem idade. Os desejos podem se modificar, mas não terminam. E para tanto, basta que o corpo seja respeitado.

Referências Bibliográficas:

Butler, R & Lewis, M. (1985). Sexo e amor na terceira idade. (trad. Ibanez de Carvalho Filho) São Paulo: Summus.

Cavalcanti, R & Cavalcanti, M. (2006) Tratamento clínico das inadequações sexuais. São Paulo: Roca.

Masters, W. & Johnson, V. (1976). A conduta sexual humana. (trad. D. Costa) Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

SEXO NA IDADE MADURA.

Recomendações para um bom sexo na maturidade.

Apesar de hoje em dia grande parte do conhecimento poder chegar à maioria da população, ainda encontramos, além de vícios de uma educação repressora em determinadas tradições que inibem a expressão da sexualidade, uma falta de valorização da nossa vida sexual.

E não estou me referindo a culturas muito diversas da nossa, como os países muçulmanos, onde as mulheres são obrigadas a se cobrir inteiramente com as burkas e algumas ainda têm seus clitóris extirpados com cacos de vidro infectados.

Falo de nosso dia a dia comum nas cidades, de nossa rotina tão veloz, na qual não sobra tempo para a alimentação, eliminação, sono e sexo.

Não costumamos lembrar que sexo precisa de tempo.

A sexualidade de cada pessoa é exclusiva. Cada um pode amadurecer o seu próprio erotismo independentemente de um companheiro ou companheira.

Pode até dividir, compartilhar suas sensações, mas jamais perder de vista que a vida sexual é responsabilidade sua, somente sua e de seus próprios preconceitos. É bastante comum ver casais que chegam ao consultório buscando culpar seus cônjuges por suas falhas sexuais e insatisfações.

Este é o primeiro erro. Quando recebo um casal assim, já de início oriento que o casal é o meu paciente, e não o marido ou a esposa. Divido entre os dois as responsabilidades frente às suas queixas.

Duas das causas mais freqüentes de problemas sexuais são a falta de educação e orientação sexual ao adolescente e ao adulto jovem e a presença constante de repressões ao erotismo individual. As pessoas tendem a se esconder de sua sexualidade, assumindo uma roda-viva de afazeres.

Na maturidade, inúmeras dúvidas já foram sanadas, experiências já foram avaliadas e a oportunidade de se auto-redescobrir torna-se viável. É justamente na idade mais madura que podemos reavaliar nossos próprios conceitos e valores, assumindo novos caminhos e abandonando os ultrapassados.

Recomendações simples e práticas
 

Não se acomode em um sexo rotineiro. Muitas satisfações ainda podem ocorrer se você procurar sair um pouco de sua rotina. Convide seu parceiro para sair por um ou dois dias. Procure algum lugar calmo e privado. Deixe seus filhos com alguém responsável para não trazer preocupações durante esse período. Você pode sair a dois. Não precisa se culpar por isso. Aliás, você deve manter a individualidade do casal perante seus filhos, já os educando para que estes também possam sair a dois sem culpas. Deixe os problemas financeiros e de trabalho em casa. Você está saindo para namorar.
Busque em suas lembranças o que fazia seu parceiro feliz. Um jantar, um jogo qualquer, uma dança ou um simples passeio. Faça isso. Passe uma tarde agradável, evitando tocar em assuntos que possam inibir a harmonia da dupla. Comece a noite de forma branda, sem muitas atividades e sem fazer uma refeição pesada. Na intimidade de seu quarto, fique apenas de roupa íntima, você e seu parceiro.
O primeiro exercício se chama Foco I. Acaricie o corpo de seu parceiro por uns 20 minutos, invertendo as posições para que você possa sentir o toque dele depois. Atenção, é proibido tocar nos genitais e mamas. Eleve o prazer, aguce os sentidos.
O Foco II consiste em poder acariciar agora todo o corpo, inclusive genitais e mamas, mas o orgasmo é proibido. Pode haver estimulação direta do clitóris e do pênis, mas o orgasmo ainda é vetado. Prolongue o prazer, espere um pouco. Pode-se assistir a um vídeo erótico ou ler algum livro estimulante. Não tenha pressa. A pressa é o fim do prazer. Fantasie um pouco. Divida com seu parceiro alguma fantasia que você jamais contaria para alguém. A intimidade não se faz só com toques, mas com o partilhamento de impressões, de fantasias e de sonhos. O constrangimento por vezes pode seduzir o parceiro, mas não se acanhe tanto.
O Foco III permite o orgasmo. Mas não vá direto ao ponto. Quando você sentir que é quase inevitável, pare por completo, só por alguns instantes. Depois recomece vagarosamente. Pode interromper a iminência de seu orgasmo por umas duas ou três vezes até, aí sim, chegar ao clímax. Não precisa sair correndo para o banheiro se lavar ou limpar a cama. Nada é sujo, o esperma e as secreções não são infectadas, não vão contagiar ninguém. Abrace o seu parceiro e lhe certifique que o amor ainda existe no casal e que a cumplicidade pode ser renovada.
Use a criatividade e deixe suas fantasias se exteriorizarem. Não as isole de quem você ama. Pelo contrário, partilhe em prol de uma vida sexual de renovação. Existem casais constituídos há 40 anos que conseguem adaptar sua idade e o tempo de convívio a uma vida sexual prazerosa. A fantasia permite que aqueles mesmos corpos possam se satisfazer um com outro, renovando e descobrindo cada vez mais sobre si mesmos.
Dê tempo a você para rever as razões de excluir uma vida sexual prazerosa de sua vida. Questione se não são seus preconceitos. Damos tempo (ainda bem) para dormir e recarregar as nossas energias. Por que esquecemos de dar tempo para renovar e recarregar o sexo também?

SEXO NA ADOLESCÊNCIA.

 SEXO NA ADOLESCÊNCIA Transformações da Mente e do Corpo

A Adolescência, período de vida compreendido entre 10 e 20 anos, é uma fase bastante conturbada. Ocorrem transformações físicas e emocionais importantes, preparando a criança para assumir um novo papel perante a família e a sociedade. A criança desenvolve-se, amadurece e fica apta para usufruir sua sexualidade, firmando sua identidade sexual e buscando um par, já com a possibilidade de gerar filhos.

A fase onde há modificações no corpo chama-se de Puberdade. Ocorre a primeira menstruação nas meninas (menarca), as poluções masculinas (ejaculações espontâneas sem coito), o crescimento de pêlos no corpo, a mudança de voz nos rapazes, o amadurecimento da genitália, com aumento do tamanho do pênis e dos seios, entre outros.

Mas nem sempre esta fase vem acompanhada das transformações emocionais e sociais que são o marco da adolescência. Dependendo da cultura de cada povo, a adolescência pode chegar mais tarde, independente da criança estar já bem desenvolvida fisicamente. É o caso dos países ocidentais, como os Estados Unidos e a Inglaterra ou França. O processo de educação continuada e a grande soma de informações, por exemplo, acabam por retardar a necessidade, por parte dos jovens, da busca de uma vida separada de seus pais. Muitos ainda moram com a família depois dos 20 anos. Já em sociedades mais simples, como em algumas regiões do Brasil, da África ou da Ásia, a necessidade de força braçal, desde muito cedo, antecipa a entrada da criança na adolescência e nas responsabilidades que lhe são devidas.

O Adolescente e a sua Sexualidade

A jovem adolescente amadurece em média dois anos antes do rapaz. Busca fortificar sua feminilidade, prorrogar os encontros sexuais e selecionar um parceiro adequado para poder ter sua primeira relação sexual, o que ocorre de forma gradativa. Vai experimentando seus limites progressivamente. Os rapazes buscam encontros sexuais com mais ansiedade, geralmente, persuadindo as garotas ao sexo com eles. Em nosso meio, há uma tendência do jovem em experimentar sensações sexuais com outros de sua idade, sem necessariamente buscar uma relação sexual propriamente dita. O termo que se usa atualmente é "ficar".

A perda da virgindade ainda é um marco importante para os jovens. É um rito de iniciação sexual, que pode ser vivenciado com orgulho ou com culpa excessiva, de acordo com a educação e tradição da família. Inicialmente, os jovens buscam apenas envolvimento sexual, testando suas novas capacidades e reações frente a sensações antes desconhecidas. É a redescoberta do corpo. Só depois procuram o envolvimento afetivo complementar passando a conviver não apenas em bandos, mas também aos pares.

A masturbação faz parte da vida das pessoas desde a infância e, na adolescência, se intensifica com a redescoberta de sensações, tanto individualmente quanto em dupla ou em grupo.

Os jovens podem apresentar algum tipo de atividade homossexual nessa fase, como exposição dos genitais, masturbação recíproca e comparação dos seios e dos genitais em grupo (comparação do tamanho do pênis, por exemplo), atividades estas consideradas absolutamente normais. A fortificação dessas condutas, com o abuso sexual por parte de um adulto de mesmo sexo ou com alta ansiedade perante o sexo oposto, pode desenvolver uma orientação homossexual definitiva nos jovens.

Em tempos da super informação, com a internet, a globalização, a pouca censura nos meios de comunicação de massa, há um apelo sexual freqüente e precoce, expondo os jovens a situações ainda não bem compreendidas por eles. Os adolescentes falam como adultos, querem se portar como tal e ter os privilégios da maturidade. No entanto, falta-lhes a experiência, a responsabilidade e o significado real de um envolvimento sexual. A gravidez de risco na adolescência, infelizmente, é um dos resultados desastrosos desta situação atual. A pouca informação qualificada e o precário respeito dos adultos perante as necessidades dos jovens são os verdadeiros responsáveis pelo falso e ilusório desenvolvimento do adolescente de hoje.

SEXO E MENOPAUSA.

Busca da Qualidade de Vida Sexual na Maturidade

A Menopausa é a parada completa da menstruação. O Climatério é o período que compreende desde as modificações fisiológicas, que vão ocorrendo com a diminuição de produção hormonal por parte dos ovários, até culminar na menopausa.

O processo de envelhecer ocorre desde que nascemos, mas há maior preocupação com a idade quando nossas funções vitais vão sendo perdidas. A perda da capacidade reprodutiva nas mulheres é acompanhada por uma série de sintomas físicos ou emocionais. Fogachos (os calorões), suor excessivo, cefaléia, pele seca, entre outros, são comuns. Mas, no que tange à vida sexual, algumas modificações são mais condicionantes.

Com a chegada da menopausa o desejo sexual pode diminuir. Algumas mulheres que se sentiram obrigadas a manter relações sexuais por toda uma vida, justificam a perda da função sexual com o fim da menstruação. Usam a menopausa como escudo para não precisarem mais "servir" seus parceiros sem obtenção alguma de prazer.

Já outras mulheres experimentam uma melhora da vida sexual e de seu desejo com a parada do ciclo menstrual, pois não precisam mais temer a gravidez indesejada e geralmente não têm mais filhos pequenos que atrapalhem o sono ou que ocupem muito sua atenção ao longo do dia. Logo, é uma questão na qual o peso cultural tem grande influência.

Com a perda da produção de alguns hormônios na menopausa, a mulher fica com menos lubrificação vaginal, devendo ter maior cuidado durante o ato sexual. Quando a vagina fica seca, o atrito do pênis pode machucá-la, como também ao seu parceiro, além de poder provocar algumas infecções (vulvovaginites). O uso de cremes lubrificantes é aconselhável, bem como a possibilidade de reposição hormonal. Um outro fenômeno que ocorre é a perda da gordura localizada nos grandes lábios, fazendo com que a vagina diminua de tamanho e esteja mais propensa a sofrer dor no coito.

A fantasia deve ser muito utilizada para despertar maior prazer no ato.

O orgasmo da mulher menopáusica pode ser muito intenso, pois as terminações nervosas estão muito mais à flor da pele, literalmente falando, pois, como assinalado acima, a capa de gordura da região da vulva está diminuída.

Muitas mulheres experimentam um reflorescimento da vida sexual.

Recomendações
 

Use lubrificantes nas relações sexuais para evitar o desconforto e possíveis infecções vaginais.
A reposição hormonal deve ser questionada para manutenção das características físicas femininas, prevenindo-se a pele e cabelos secos, mantendo o corpo arredondado nas formas femininas, bem como a voz. Consulte seu ginecologista.
Procure climatizar o ambiente antes dos encontros sexuais: nem tão quente, nem tão frio para você e para seu parceiro.
Aproveite o maior estímulo sexual de seu parceiro, procurando-o pela manhã (cedo), pois a maior disposição dele para o sexo pode ajudá-la a ter mais desejo e a ser mais estimulada.
Com o surgimento de problemas sexuais de inibição, falta ou dificuldade de se chegar ao orgasmo, não deixe de procurar um terapeuta sexual que pode lhe proporcionar muitas orientações e técnicas para usufruir melhor de sua sexualidade.
Caso surjam sintomas de tristeza, desânimo intenso, fadiga, irritabilidade, baixa auto-estima, procure imediatamente uma orientação com psiquiatra, pois nessa fase, com as alterações hormonais, os Transtornos de Humor (Depressão) não são raros.

SEXO E GRAVIDEZ.

Conflito Esposa-Amante X Esposa-Mãe

A gravidez é um fenômeno diferenciado na vida de um casal. Hoje, cada vez mais, o homem tende a participar neste processo ativamente. É comum encontrarmos homens sentados na sala de espera do consultório de obstetras, ou mesmo saindo do médico com suas esposas grávidas. A gestação pode e deve ser uma etapa vivida a dois.

Tanto os homens quanto as mulheres passam por adaptações físicas e emocionais, inclusive na sua relação sexual durante a gestação. Não é raro nos depararmos com mudanças físicas nos parceiros de gestantes, como o aumento de peso e, em algumas situações, intolerância gástrica. Em uma tribo da Nova Guiné, os maridos, após o parto de suas esposas, colocam-se prostrados no leito como mulheres no puerpério (período que segue imediatamente ao parto), apresentando os mesmos sintomas que elas, como dor, desconforto, insegurança, depressão e ansiedade.

O Sexo Muda na Gravidez?

No 1º trimestre não é raro haver uma perda de desejo sexual por parte das mulheres. Uma 1a fase de contentamento cega as demais sensações, além das mudanças iniciais do corpo e dos genitais. A mulher volta-se para o planejamento de uma vida agora familiar, e não mais apenas de casal. Existem algumas fantasias de causar o aborto nesta fase, o que pode contribuir para a diminuição do desejo no casal, além de desconfortos comuns como náuseas.

O conflito básico de se colocar na mesma mulher a figura de mãe e a de esposa-amante pode vir à tona, não só para a futura mãe como também para seu par. Algumas pesquisas referem que alguns homens procuraram pela 1a vez relações extraconjugais nesta etapa da gestação. Ficam confusos em relação ao papel de suas esposas. Alguns sentem-se extremamente enciumados e excluídos, buscando uma terceira pessoa para contrabalançar sua exclusão do par mãe-futuro bebê.

O 2º trimestre é demarcado como uma volta do desejo feminino ao normal, ou até mesmo de maior intensidade. Algumas mulheres relatam que nesta fase, o desejo foi o mais intenso de suas vidas, sentindo-se muito atraentes e felizes. Para o homem, pode haver o 1o impacto ao perceber, de fato, a gestação de sua esposa, pois nesse período a barriga torna-se mais aparente.

O 3º trimestre apresenta maiores desconfortos, principalmente após o 8o mês. A freqüência urinária pode aumentar e a barriga muda o centro de gravidade da mulher, tornando-a um pouco mais desajeitada ao caminhar. As fantasias voltam, agora de serem flagrados e espiados pelo feto durante a relação sexual. Alguns homens temem bater na cabeça do bebê com o pênis durante a penetração. As posições assumidas no ato sexual vão se restringindo mais, havendo preferência pela posição "de ladinho". A ameaça de aborto é temida, bem como complicações de parto prematuro. Os casais ficam mais reticentes em buscar atividade sexual, e alguns até mesmo se abstêm. Por vezes, a ansiedade nas mulheres por não haver gratificação sexual pode ser mais lesiva que o coito, excetuando-se situações onde haja contra-indicação de atividade sexual pelos riscos de parto prematuro ou descolamento de placenta, por exemplo.

No último mês, os obstetras oferecem orientações contraditórias. Alguns recomendam abstinência até o final da gravidez, outros apenas na última semana. Concordam na abstinência se existir algum risco obstétrico. Alguns recomendam sexo até o final mesmo, evitando-se ansiedades sexuais por parte da mulher.

Após o parto, recomenda-se um período de abstinência até se recomeçar a vida sexual (aproximadamente de 4 a 6 semanas). No entanto, muitos casais mantêm atividade sexual bem antes disto. A mulher vai apresentar menos desejo sexual devido a alterações hormonais, com aumento da Prolactina e também pela exaustão do pós-parto e dos cuidados iniciais com um bebê.

SEXO E ESCOLA.

Novas Funções da Escola na Orientação Sexual dos Jovens

Participação Popular: médico, educador e família - esforço conjunto

Participação Popular, Social e Comunitária são fundamentais.

Essa foi a máxima discutida na 11ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília em novembro do ano de 2000. A medicina, bem como a área específica da psiquiatria e da sexologia, tem enfrentado grandes desafios, acompanhando a realidade de amplas inovações da tecnologia da informação (como a Internet, por exemplo) e do inigualável avanço científico dos últimos 30 anos. A aplicação de todos esses conhecimentos ultrapassou há muito o âmbito acadêmico e assistencial. Hoje, esforços conjuntos e multidisciplinares são, não só necessários, como também imprescindíveis para pacientes e comunidades em geral.

Em um mundo cheio de transformações, nos questionamos se nossas funções, tais como as conhecemos (como pais, educadores, agentes de saúde), estão de acordo com a realidade social. Parece-nos fundamental a reavaliação desses preceitos.

A migração dos meios de produção e de oportunidades de trabalho, dos centros rurais para os urbanos, trouxe consigo um novo estilo de estrutura familiar - a família nuclear.

O papel da Escola passa a ser fundamental na medida em que grande parte do tempo do jovem é vivido dentro dos "muros da educação".

As tradicionais funções parentais de iniciação à educação de hábitos de higiene, alimentação, socialização, orientação sexual e desenvolvimento de personalidade das crianças e dos jovens estão sendo exercidas em grande parte pelos educadores, exatamente pela demanda de tempo que os pais têm em atividades produtivas fora do lar.

E a escola está preparada para desempenhar tais funções?

Com quem deve ficar a função da Orientação Sexual?

Os agentes de saúde aqui se tornam indispensáveis. A aplicação de conhecimentos especializados pode agregar grande valor ao desenvolvimento físico e emocional dos jovens e na elaboração dos conflitos que permeiam o amadurecimento. Atividades integradas entre as famílias, os educadores (Escolas) e os agentes de saúde tornam-se uma necessidade. Sem a participação da comunidade, o processo todo perde sua guia.

Atividades integradas
 

As Escolas devem buscar auxílio nas entidades que trabalham com Sexualidade Humana na própria cidade (se interior, procurar as da capital) para obtenção de informações de saúde pública no que tange à sexualidade humana e desenvolvimento psico-sexual e sobre profissionais que possam desenvolver atividades integradas e especializadas.
A elaboração de cursos, eventos, palestras e seminários sobre a sexualidade e seus diferentes enfoques deve ser planejada com a participação dos profissionais de saúde da área de sexologia, pais, educadores e representantes estudantis.
O enfoque deve ser dado de acordo com o contexto social de cada região, respeitando-se as tradições locais e a religião predominante e também conforme a idade do público alvo. Não adianta discutir inicialmente a anticoncepção com crianças que ainda não sabem o básico da atividade sexual. Deve-se ter em mente uma atividade progressiva.
Usar material audiovisual, atividades criativas e técnicas mais ativas como psicodrama para manter a atenção dos jovens.
Alguns tópicos devem ser sempre abordados: fisiologia dos órgãos sexuais, gravidez, anticoncepção e masturbação.
Atividades podem ser realizadas inicialmente para os pais, para orientação destes em relação à própria sexualidade, para depois introduzir-se a idéia de educação de seus filhos.
O assunto da sexualidade ainda apresenta muitos tabus, devendo ser questionado e discutido com delicadeza e sem imposição de valores.

SEXO E CONDIÇÕES ESPECIAIS.

Transtornos neurológicos e Diabetes mellitus

Transtornos neurológicos

Define-se um transtorno neurológico quando a pessoa sofre alguma lesão em seu Sistema Nervoso Central (SNC), com parcial ou total paralisia como conseqüência. A pessoa que sofre tal dano terá comprometimento de múltiplas funções em sua vida, entre elas a sexual. No entanto, a medicina já tem suas armas para melhoria da qualidade de vida desses indivíduos.

Qualquer crise acidental na vida de alguém (crise acidental sendo vista como algum acontecimento não esperado que traz danos à vida) implica uma readaptação em um novo estilo de vida.

A pessoa geralmente passa por uma fase de negação do que ocorreu com ela, depois por uma fase de rebeldia, com muita agressividade voltada a si mesma e aos mais próximos e depois entra em depressão, uma tristeza e desesperança profunda, com desmotivação para a vida.

É necessário muito apoio dos familiares e, acima de tudo, tolerância. A pessoa fica desmotivada também para o sexo, podendo recuperar o desejo somente depois de superar tal crise.

Alguns tipos de transtornos do SNC causados por acidentes automobilísticos, por exemplo, ocorrem com jovens ainda em plena atividade sexual e sem filhos. Muitas famílias se desestruturam também por esse motivo: medo da incapacidade de ter filhos.

O homem com lesão na espinha dorsal pode ficar impotente, mas boa parte deles recupera a ereção e até pode ser capaz de manter relações sexuais. É a ejaculação que se torna um problema maior. Pode-se usar a técnica de eletrodos na região do reto para estimular a saída de esperma, mas geralmente a quantidade não é suficiente para inseminar artificialmente a parceira. Existem outras técnicas disponíveis a um custo maior que possibilitam a efetiva extração de sêmen para fertilização.

Na mulher a situação é um pouco diferente. Ela pode engravidar e ter bebês mesmo com lesão da coluna. Ela perde sua sensibilidade clitoridiana e o orgasmo é muito difícil. Isso não quer dizer absolutamente que a mulher não tenha desejo algum. Ela pode usufruir de uma vida sexual satisfatória de mútuo prazer com apoio de seu parceiro.

Diabetes Mellitus (DM)

Essa doença pode afetar múltiplas funções orgânicas, inclusive a sexual. Em média, 25% das mulheres e 50% dos homens apresentam algum tipo de problema sexual decorrente do Diabetes Mellitus.

No homem

Pode apresentar impotência sexual parcial ou total, não conseguindo uma ereção ou não podendo mantê-la por muito tempo. Pode ser um problema emocional ou mesmo orgânico (quando a doença é crônica).

O DM a longo prazo pode comprometer o sistema de vasos sangüíneos e o sistema neurológico periférico. Nesses casos a prótese peniana tem sido recomendada. Mas antes dessa medida mais radical, pode-se tentar uma série de métodos, entre eles algumas medicações que provocam a ereção (alguns antidepressivos, algumas drogas injetáveis ou as do tipo do Sildenafil).

Na mulher

As mulheres com DM sofrem de vulvovaginites de repetição (infecções na vagina que causam dor, ardência e muitas vezes coceira). O sexo torna-se desconfortável e ela passa a evitá-lo, diminuindo muito seu desejo sexual.

As pesquisas sexuais com mulheres diabéticas são um tanto complicadas, devido ao fato de sua excitação não ser aparente como a do homem(que tem ereção). No entanto, sabe-se que o estímulo clitoridiano deve ser mais intenso para provocar a excitação.

Recomendações

Não deixe de colocar suas dúvidas ao seu médico em relação à sua sexualidade, pois, caso ele não esteja instrumentalizado para orientá-lo, pode indicar um terapeuta sexual.

A vida sexual no ser humano vai muito além de um simples contato pênis-vagina. Muitas técnicas podem ser utilizadas para manter e aumentar seu prazer sexual.

Caso não haja comprometimento orgânico, o terapeuta sexual pode iniciar um tipo de tratamento chamado cognitivo-comportamental para melhoria da qualidade da vida sexual do paciente e de sua parceira ou da paciente e seu parceiro. Não deixe de lado sua vida sexual. Procure orientação especializada!

SEXO E CÂNCER.

Lutando pela vida e pela sua melhor qualidade

O surgimento de algum tipo de câncer na vida de uma pessoa é muito traumático, dadas as conseqüências físicas e emocionais desse tipo de doença e as limitações da medicina nesse campo ainda muito desconhecido.

Existem dois aspectos importantes para a compreensão da vida sexual por parte dos que sofrem de qualquer tipo de câncer.

Um primeiro aspecto está na reação frente à descoberta dessa doença, muitas vezes mutilante. Geralmente a pessoa que se descobre portadora de câncer passa por estágios emocionais diversos, entre eles, negação, rebeldia e depressão.

É nas fases de rebeldia e de depressão que a atividade sexual vai sofrer maior impacto. O paciente passa a se preocupar mais com a sua saúde, exames, medicações, intervenções cirúrgicas, quimio e radioterapia, do que com sua vida sexual. O desejo diminui muito ou desaparece totalmente, prejudicando as demais fases do ciclo da resposta sexual, quais sejam, excitação (ereção no homem e lubrificação na mulher) e orgasmo.

A atividade sexual, para a maioria das pessoas, não se desenvolve se houverem graves preocupações na cabeça. No caso da pessoa com câncer, a sexualidade fica em segundo plano. A pessoa passa a se ver com menos estima, com tristeza e com um medo intenso de não mais corresponder às demandas sexuais do parceiro. Temores de ser visto como doente, vítima e passível de pena também afetam a auto-estima. Os relacionamentos acabam por se complicar, principalmente quando não há abertura na comunicação da dupla.

O indivíduo sente-se só, pouco compreendido e com muitos constrangimentos em comentar ou perguntar algo sobre a sua vida sexual para o médico. Além disso, nem todos os profissionais lembram ou têm capacidade de lidar com esses aspectos de seus pacientes. Algumas medicações antidepressivas podem ser utilizadas com uma melhora no quadro depressivo e na vida sexual do paciente. Deve-se procurar ajuda de um psiquiatra.

Um segundo aspecto está na possibilidade de o câncer atingir áreas genitais ou outras regiões que possam afetar de forma direta o desempenho da atividade sexual.

Câncer nos genitais - pênis, vulva ou colo de útero ou em regiões próximas - são mais complexos no que tange às recomendações. Existem alguns riscos de infecções em áreas mais lesadas, ou mesmo maior probabilidade de dor.

Nesses casos, o médico é a pessoa que pode e deve ser inquirida de forma direta. Especificamente:
 

O câncer de mama traz muitas complicações na auto-imagem das mulheres, diminuindo muito o desejo de se expor ao parceiro. O implante de silicone tem ajudado muitas delas a recuperar a auto-estima.
Pacientes que se submeteram a ostomização (pessoas com câncer de colo ou reto que precisam abrir um orifício no abdômen para eliminação de fezes em uma bolsinha plástica, não podendo mais evacuar pelo ânus) sofrem muito para reassumir a atividade sexual, já que a bolsa plástica passa a fazer parte constante de suas vidas. Tanto para os homens, quanto para as mulheres, é uma fonte constante de sentimentos de inferiorização e vergonha. Temem que a bolsa com fezes atrapalhe ou vaze durante o esforço da atividade sexual. No sexo com esse tipo de preocupação, não há como se envolver ou fantasiar: o sexo não se torna satisfatório. A comunicação é essencial e o aconselhamento e reeducação sexual por um sexólogo é de grande utilidade.
Em alguns homens, pode ocorrer a impotência sexual por lesão direta ou indireta ou por conflitos emocionais. Deve-se ter em mente que a sexualidade não existe apenas quando há coito propriamente dito (contato pênis-vagina). Faz parte de nossa sexualidade todo o envolvimento afetivo e todas as sensações subjetivas prazerosas de todo o corpo. A parceira pode se satisfazer de várias formas que não com o pênis. Existem algumas medicações que podem ser usadas para provocar a ereção, mas o médico deve ser consultado antes.

O câncer afeta a vida de um casal em várias dimensões. A dupla deve procurar formas de adaptação que visem a intimidade e a cumplicidade. Com a estabilidade da doença, o desejo sexual retorna e passa a ser novamente importante. Recomenda-se que a pessoa seja o mais sincera possível com seu parceiro em relação a seus sentimentos e sensações. A dor deve ser identificada e questionada com o médico, tal como técnicas possíveis para se lidar com as dificuldades sexuais. Caso o médico oncologista não possa esclarecer as dúvidas, é aconselhável a busca de um terapeuta sexual, geralmente mais instrumentalizado para a orientação nesse aspecto de dificuldade.

 

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